Ronaldo Bitencourt Dutra
por Ronaldo Bitencourt Dutra
em 01/11/2017

Master Coach, Analista de Perfil Comportamental, Coaching Assessment e Analista 360º. Trainer e sócio da D & S Ação

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Como ousar ir além das sandálias?

Gostaria de compartilhar com vocês o aprendizado colhido pela leitura de artigo do Mestre José Roberto Marque, intitulado Vá Além das Sandálias, publicado pela Editora IBC no livro de Coautoria Ouse Ir Além .
Como ousar ir além das sandálias?

No brilhante artigo, discorrendo sobre a contribuição dos gregos e romanos no mundo das artes, o mestre se vale do relato dos bastidores da produção de uma pintura pelo pintor Apeles, narrado pelo escritor latino Valério Máximo, para nos passar um ensinamento de Coaching a nos ajudar a ajudarmos nossos coachees irem além de suas sandálias.
Referido pintor não se importava com a presença de outras pessoas durante o exercício de sua arte e até tentava tratar com educação a intromissão dos bisbilhoteiros. Em uma dessas ocasiões, um sapateiro fez um comentário preciso demonstrando um erro nas sandálias da figura pintada.
O acolhimento da sugestão pelo pintor encorajou o sapateiro a tecer comentários sobre outros aspectos do quadro, o que fez com o pintor o advertisse com o clássico e propagado conselho “não vá o sapateiro além das sandálias!”.
Adverte-nos José Roberto Marques que a ideia de não exorbitar nossas competências tem muito sentido em variados contextos como um ensinamento valioso ainda em nossos dias. Porém, alerta-nos com o encantamento de sempre, “nem tudo é o que parece na era do Coaching, onde os ensinamentos são questionados, as zonas de conforto são sacudidas e nossos referenciais são todos postos à prova”.
Decerto a admoestação ao sapateiro é um convite à prudência que devemos observar com inteligência parcimônia. Porém, sob o prisma do Coaching, sem o desapego à busca pela sabedoria que deve nos acompanhar sempre em nossa jornada, podemos extrair do episódio um novo aprendizado. 
Será mesmo que estamos permanentemente presos aos limites que nos são impostos? Que nossas competências não extravasam a moldura com que o mundo tradicional quer nos moldar? 
Se o sapateiro tivesse ido além das sandálias, qual seria o novo “além” que o pintou lhe imporia?
Nem eu, muito menos o autor quis passar a mensagem de que regras e limites não devem ser observadas. O ensinamento que extraio do texto é de que todos os moldes e formas que limitam as pessoas podem ser alargados quando alguém ousar ir além de seus limites. Segundo José Roberto Marques “todos os limites são renovados quando alguém ousa ir além, ultrapassa contenções e convenções estabelecidas e logra alcançar um novo patamar”, e nos traz o excelente exemplo de Galileu Galilei, cuja ousadia nos possibilitou ir além, demonstrando que era a Terra que girava em torno do Sol, revolucionando a ciência. 
Sabiamente o articulista traça o paralelo com o Coaching, que reúne técnicas, ferramentas, conhecimentos advindos das várias ciências do comportamento humano, em um único eixo num processo de constante evolução, representando um espírito de junção e renovação de tudo que existe e não uma deposição do que foi construído e funciona:

“Só muito tempo depois do sapateiro ter sido exortado a não ir além das suas sandálias que pudemos perceber o surgimento de um ajuntamento de ferramentas, que, apanhadas de diferentes pés e misturadas em uma salada, insistem, no fim das contas, a nos dizer como e por que precisamos sempre ao menos flertar com a ideia de ir além dos meros limites do nosso ofício ou ocupação momentânea. 
Refazendo o caminho de muitas das inovações que depois de um tempo são naturalizadas como se tivessem estados presentes desde sempre, o Coaching surge de um movimento bastante desordenado de esforços que buscavam, sem saber exatamente como, dar vazão a esse desejo de ir além que acompanha o ser humano em qualquer tempo, como tão bem pode ilustrar o caso do nosso sapateiro. “

Trazendo para nossa realizada, ainda há muitos empreendedores, empresários, líderes que se guiam por condutas e pensamentos semelhantes às do pintor Apeles e cedem à tentação de repreender os colaboradores, parceiros, que ousam ir além de suas atribuições, fechando-se a novas ideias. Do mesmo modo, no plano individual, há aqueles que se limitam à zona de conforto, não ousam ir além, descobrir novas competências, habilidades, permanecendo apenas no querer interno. 
Nesse contexto, que a importância do Coaching se renova e revigora a cada dia. Pois, valendo-se da lição do articulista, o desafio do qual o Coaching não foge é o de recriar esse mundo de limitações no ponto em que ele realmente importa, nas pessoas. 
Nosso papel como Coach é, levando em consideração e respeitando a história de nossos Coachees, iniciar um processo paulatino de deposição das crenças limitantes com que chegam ao nosso coachtório. É logico que isso exige trabalho sério, paciência e disposição, pois muitas vezes é um desafio imenso, uma vez que em muitos casos o apego irrestrito às zonas de conforto, hábitos de comodismos e medo do êxito, parecem estar arraigados em nossos padrões genéticos.  Porém, como bem adverte o autor, referência nacional e mundial em Coaching, “está para nascer a pessoa que, após passagem por um bom coachtório, tenha saído atrás das mesmas limitações pessoais, morais e intelectuais que antes nutria, só pode mesmo chegar à conclusão de que todo esforço dedicado à libertação de si mesmo vale muito a pena”.
Esperando ter captado e transmitido o ensinamento no artigo cuja leitura recomendo a Coaches e Coachees, despeço com um convite-pergunta: Vamos ousar e ir além?  O Coach pode ser seu guia, e o Coaching o calçado mais adequado para sua jornada”

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